Por Camilla Colenghi

 

Nem sempre é sobre o outro. 

Falo do lugar de quem já́ anunciou aos quatros cantos que foi julgada. 

E que reclamou, que chorou abraçando o travesseiro e se sentiu pequena. 

Nem sempre é julgamento. 

Há conselhos que cutucam nossos machucados. Que arrancam o bandaid sem contar até́ três. 

Arde, dói, a vontade é de esganar a boa intenção alheia. 

Nem sempre é dedo apontado. 

Existe o combo falta de noção de quem diz e falta de limites de quem ouve. 

A frase “as pessoas fazem com a gente aquilo que permitimos” é, quase sempre, autoexplicativa. 

Nem sempre é afronta. 

Questões não resolvidas costumam dar as caras em momentos de transição. 

Nossa primeira conclusão é, provavelmente, a ponta do iceberg. 

O copo já́ estava cheio. A gota que o entornou não veio da mesma nascente da água que o encheu. 

A revolta por trás do “está me julgando” é, na maioria das vezes, um pedido de socorro. 

Um grito de “estou me sentido tão sozinha.” 

De “tenho muitas responsabilidades em cima dos meus ombros.” 

A maternidade, por exemplo, escancara o que já́ estava complicado: dificuldades de comunicação, sede de validação externa, necessidade de agradar, confundir os próprios objetivos com as expetativas de terceiros. 

Mulheres precisam de apoio e abraços. Mas também precisam aprender a cuidar-se e SE ABRAÇAR. 

Apostar todas as fichas nas ações dos outros para sanar aquilo que nos dói é uma estratégia infeliz. 

Por isso a pergunta: e se pegássemos doses do amor, da força e da coragem que temos dentro de nós - doa a quem doer ? 

E se a maternidade fosse, além das dificuldades, doçuras e dilemas, a mais potente chance de reconstrução? 

Quando a mulher se alinha e cresce, o resultado extrapola, floresce e brilha. Iluminando a ela, a sua família e todos aqueles que enxergam a sua inteireza.