A máscara revela alguma coisa?


Evacira Coraspe 



Assessora de Comunicação da Câmara Municipal de Uberaba. Coordenadora e apresentadora do programa Movimento da TV Câmara. Idealizadora e coordenadora do projeto “Arte na Chita – Bordados Terapêuticos”.


A máscara revela alguma coisa? 

A máscara de proteção se tornou acessório obrigatório durante essa pandemia do novo coronavírus. Ela revela obediência às normas sanitárias. Muitas pessoas estão tirando o sustento da família com o comércio de máscaras. Além das tradicionais recomendadas, encontramos vários estilos: divertidas, com time de futebol, personagens infantis, românticas, bordadas. Claro que como toda moda existe o conceito estético. Essa indumentária revela mais do que proteção à saúde. De acordo com a estilista Silvia Carneiro, modista e consultora de estilo e imagem, a máscara de proteção que foi introduzida no contexto da nossa comunicação de imagem deve ser tratada da mesma forma: como um elemento a mais a ser alinhado com o todo, ou seja, a cor escolhida deve estar em harmonia com a mensagem a ser transmitida, seguindo a psicologia das cores.  Ela enfatiza: “É interessante essa reflexão, uma vez que a máscara cobre justamente a boca, que é para onde o nosso olhar se direciona enquanto conversamos. Assim, a cor que você escolhe pode comunicar suas emoções, traços de personalidade e intenções. Escolha com critério, pois tudo indica que a usaremos por um tempo considerável”.

A modista deixa dicas do significado de cores, como por exemplo: as claras podem transmitir desde o sentimento de pureza ao de fragilidade e frieza; já as cores escuras transmitem autoridade e um possível desejo de distanciamento. E qual a melhor cor? Aquela que te representa com clareza, coerência e constância.


Silvia Carneiro. Foto: Ighor Thomas

Conselho mapeia artistas

O Conselho Municipal de Política Cultural – CMPC tem grande responsabilidade para operacionalizar o recebimento de aproximadamente 2,2 milhões de reais, garantidos pela Lei nº 14.017 (também denominada Aldir Blanc), que canaliza recursos federais para ajuda emergencial à cultura. A distribuição da verba atende a critérios rigorosos e trará alento aos artistas, duramente atingidos na pandemia pela paralisação do setor, o que trouxe grandes dificuldades financeiras para a maioria. Alexandre Ferreira, músico, chefe do Departamento de Equipamentos Culturais deste município e presidente do CMPC explica que se trata de um órgão de controle social, colegiado e deliberativo; por isso, constitui-se no principal espaço de participação social para elaborar e acompanhar a execução das políticas públicas culturais.

“Uberaba conta com 12 setoriais culturais, os quais representam vários segmentos da Arte. Cabe a esses representantes estarem em contato com artistas das respectivas áreas para encaminhamento das demandas ao CMPC. É importante que essa Lei, tão necessária no momento atual, chegue ao conhecimento de todos que praticam alguma forma de arte e foram afetados”, alerta o presidente.

Ele diz ainda que durante a pandemia os membros do Conselho têm participado ativamente de videoconferências sobre as políticas públicas em favor da cultura e arte, para manterem-se informados, uma vez que arcam com a representatividade do setor. Além da prioridade, que é a Lei Aldir Blanc, o Conselho também define as diretrizes para o biênio 2020/2022. Entre suas ações, destaca-se a construção do Banco de Dados de artistas uberabenses. O cadastro é importante para mapear tecnicamente onde esses “fazedores” de cultura estão atuando.


Alexandre Ferreira. Foto: arquivo pessoal

O abraço do Paulo Miranda

Já aconteceu, mas vale a pena registrar. No mês passado o premiado artista plástico Paulo Miranda fez uma exposição virtual como preconiza esse período de pandemia. Uno é o nome da exposição realizada pelo Facebook com 19 pinturas recentes, exaltando o abraço como tema central. O pintor explica: “Eu acredito que o abraço é a maior expressão de carinho entre as pessoas e quando acontece de forma sincera, naquele momento elas se tornam uma só, por isso o título “Uno”. Na realidade atual a produção ganhou uma dimensão bem maior. Essa exposição tem um forte registro emocional. Minha pintura traz uma série de fragmentos de poesias importantes na contextualização da obra”.

Paulo Miranda é paulista, vive em Uberaba há muitos anos. Consta em sua carreira inúmeras exposições individuais e coletivas, inclusive em Paris – França, onde ele realizou muitas viagens de estudos. Formado em Arquitetura e Urbanismo, pós-graduado em Desenho e criatividade, atualmente Paulo Miranda é coordenador do Museu de Arte Decorativa (MADA).


Paulo Miranda. Foto: acervo pessoal

Festival de Música na pandemia

O Live Music Festival aconteceu nos dias 26 e 27 de setembro, no Cine Teatro Vera Cruz, com transmissão pelo YouTube, no canal “Músicos de Uberaba”. A iniciativa surgiu a partir do diálogo entre um grupo de artistas afetados pela falta de trabalho durante a pandemia do Covid-19.  “Alguns conseguem patrocínios e realizam lives de forma particular; porém, muitos não têm condições de realizar essas apresentações. O intuito é fortalecer o cenário musical uberabense, que possui excelentes artistas e muitas vezes são pouco valorizados”, pondera Renato Lima, idealizador do evento, baterista e titular do setorial de música no CMPC de Uberaba.

O músico entende que o festival promoveu entretenimento ao público em geral e antecipa a ideia de realizar o evento a cada três meses, para projetar luz aos talentos da cidade. “Somos artistas atualmente sem condições de exercer nossa profissão, em virtude da pandemia, que infelizmente atinge muitos países. Temos que ser criativos e de alguma forma não perdermos contato com o público e praticarmos nossa arte, pois essa crise vai passar e precisamos estar prontos para retomar a carreira”, observa Renato Lima. 

 Renato Lima. Foto: arquivo pessoal

Arte Virtual

O artista plástico e escultor Aguimar José Luís tem suas preciosas obras em exposição virtual, durante o mês de setembro. O escultor Aguimar foi um dos primeiros servidores públicos da Fundação Cultural. A simbologia de suas peças e a sua riqueza artística são reconhecidas não só em Uberaba, mas no Brasil e em outros países, inclusive na Itália, onde mantém parcerias em Roma.

Na narrativa de Karina de Oliveira Faria, Chefe de Seção do Departamento de Cultura e idealizadora do projeto, o objetivo da exposição é divulgar os artistas emergentes e aqueles com história consagrada na cidade, como é o caso de Aguimar, bastante conhecido. “Nesse período de pandemia refletimos sobre como dar apoio aos artistas, sem comprometer a saúde de ninguém. Apostamos na exposição virtual. O fotógrafo Flávio Salge vai sozinho ao ateliê do artista e registra as obras de arte a serem expostas. Em seguida, definimos a metodologia da exposição. Todas são divulgadas pelas redes sociais. Esse novo modelo é uma alternativa que funciona”, diz Karina.

Ela garante que Aguimar prepara algo surpreendente e inédito para esta exposição. Não vamos perder.


Aguimar. Foto: Flávio Salge


 Novo espaço para tecelagem 

Alinhada à criatividade, a Casa do Artesão (Associação Uberabense dos Artesãos e Artistas) inaugurou dia 12 de setembro a loja de tecelagem manual, para produzir e comercializar os próprios produtos e também ensinar essa arte, por meio de cursos e oficinas.

A tecelagem está entre os artesanatos mais antigos do mundo. Em 2003, a artesão Cidinha Freitas começou esse formato coletivo. “A tecelagem está em meu DNA. Minha família sempre teceu na fazenda. Pude ajudar muito minha avó a preparar o material e tomei gosto. Muitas pessoas talentosas praticam essa arte e desejamos que a Casa da Mogiana seja um centro referencial, com salas de teares, história desse artesanato e formação de profissionais”, explica a tecelã. A equipe conta ainda com o tecelão Romildo José, que aprendeu a tecer com a mãe, trazendo nova leitura para a tecelagem.


Romildo José. Foto: arquivo