Nossos Filhos: Filho mal-educado, a culpa é minha?


Márcia Resende


Queridos pais, que todos estejam bem e amparados por sabedoria, tolerância e empatia. Que a jornada que trilhamos traga muita reflexão e aprendizado, para que as tomadas de decisões sejam cada vez mais sábias. 

Sustenta uma sabedoria popular que quando colocamos reparo no filho dos outros, o nosso sai igual. Se esse dito popular é verdade ou não, prefiro ficar atenta e não julgar, mesmo porque muitas das atitudes que crianças e adolescentes manifestam são reflexos das atitudes dos pais. Proponho um caso que corresponde ao nosso título e ajudará em nossa reflexão. 

Uma criança chegou ao aniversário da avó e entregou o presente sem cumprimentá-la. Passou por todos os convidados sem nenhuma reverência e foi para a televisão. Depois de meia hora ela voltou, olhou para a mãe e disse “não tem nada para comer”? A mãe respondeu que o churrasco ainda não havia sido servido e não ofereceu nada para a filha se alimentar. Havia na mesa algumas comidinhas que poderiam ser oferecidas, mas a mãe justificou que nada ali iria lhe agradar. A criança saiu novamente, embora os tios e a avó a chamassem para estar com eles, para abraçá-la e brincar com os primos. A mãe foi surpreendida por várias críticas dos irmãos e da mãe (avó). Esse episódio a deixou chateada. Apesar da chateação, sinto muito em afirmar que sim, a culpa é toda dos pais! 



Na nossa última reflexão, nos dedicamos a analisar o mau humor como uma atitude inadmissível, algo que não deve ser aceito como justificativa para dificuldades pessoais. Como é chato ter por perto alguém mal-humorado, que tem sempre uma má resposta, uma justificativa para as agressividades ou alguém que seja indiferente. Fica pior quando se trata de uma criança ou adolescente cujos pais reforçam as justificativas ou ignoram a malcriação e a indiferença. 

Nesse caso que relatei, o pai justificava: 

- Ela está cansada, ontem ela dormiu tarde. A mãe aquiescia.

Percebam que a criança não foi alertada que deveria primeiramente se dirigir à avó com respeito e carinho. Em nenhum momento os pais interpelaram a criança para que ela ouvisse com atenção os chamados e pedidos da avó, dos tios e dos primos que queriam que ela fosse brincar com eles. Os pais não estimularam a filha para que ela desse as suas justificativas. Se queremos filhos mais empáticos e envolvidos, então devemos estimulá-los a agir com empatia e respeito. Todas as más condutas dos nossos filhos precisam ser pontuadas. Nós, pais, de forma vigilante, precisamos ensinar o que é ou não é adequado, em diferentes contextos da vida em sociedade. Atitudes muito comuns são: 



  • falar demais e interromper as conversas dos outros; 
  • mexer ou pedir para mexer em coisas que estão fora do alcance deles; 
  • reclamar da comida, bebida ou programação na casa de outras pessoas, quando devemos ensiná-los de que não são obrigados a comer o que lhe servem. É só agradecer e dizer que não quer. Não precisa ficar falando que não gosta, que está horrível ou murmurar um “eca!”; 
  • correr, falar alto ou fazer bagunça em lugares onde a conduta deve ser de respeito, cuidado e que não se permite fazer bagunça. Sim, existem lugares que não se pode agir simplesmente como criança como uma recepção de hospital, uma igreja, na sala de aula. Eles precisam aprender a ter tolerância, saber a hora de brincar e a hora de ficar quietos e de prestar atenção. A justificativa de que eles ainda não têm idade para entender ou não estão preparados para a situação não é razão para maus comportamentos. Se você não acha justo cobrar dele a atitude correta, então não o leve a esses lugares até que ele esteja preparado o suficiente para entender e se comportar.

Tenho certeza de que você pode dar muitos outros exemplos.

Se nossos filhos têm atitudes mal-educadas que não são corrigidas, muito em breve eles irão começar a ser isolados e as pessoas passarão a evitá-los e a se afastarem deles. Podemos e devemos educar nossos filhos com limites, ética e etiqueta. Cumprimentar, agradecer, ter boas maneiras à mesa, saber ser um bom anfitrião e se comportar como convidado são algumas regrinhas básicas.  Respeitar a hierarquia, saber ouvir e dar atenção aos mais velhos é inegociável. 

Como pais educadores temos a função de proporcionar que nossos filhos cresçam como pessoas boas, altruístas e que valorizem a honestidade, a franqueza e a verdade. Devemos agir e valorizar os mesmos princípios, para que possamos cobrar e corrigir quando eles cometerem algum deslize. É importante que nossos filhos cresçam praticando essas posturas e que as incorporem. 

É possível!



Márcia Resende

Especialista em Teen, Life e Professional Coaching. Escritora de textos motivacionais, de liderança e comportamento para a página Coaching e Champanhe for Woman, de Portugal, para o Portal R2S e para a revista da Sociedade Latino Americana de Coaching. 

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