Arte e Cultura em Movimento - Concurso de fotografia sobre o Geopark


Evacira Coraspe


Concurso de fotografia sobre o Geopark Terra de Gigantes 

Muitos técnicos estudam a viabilidade de um Geopark em Uberaba e, para promover melhor compreensão do assunto e até adesão comunitária, a UFTM, uma das parceiras do projeto, lança o concurso de fotografia para profissionais e amadores. 

A pergunta mais frequente é o que significa Geopark?  Gizah Barros é administradora, trabalha na pró-reitoria de extensão da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), com a função de levar conhecimentos da comunidade acadêmica para a comunidade externa. Aí que se enquadra o projeto Geopark da Prefeitura, UFTM, SEBRAE e ABCZ, que são as quatro mantenedoras. Gizah esclarece que o Geopark é um conceito internacional que consiste numa delimitação territorial chamado de geodiversidade, compreendendo aspectos culturais, históricos e paleontológicos. O Geopark traz para a população o turismo sustentável. “Existem pessoas que viajam o mundo todo visitando geoparks, pela grandeza do que oferecem tanto na cultura como na arte.” 

O concurso de fotografia proposto contempla todos que gostam de fotografar, conforme previsto no edital aberto no site da UFTM. Existem 14 pontos de interesse, que abordam três vertentes: Geosítio de Peirópolis; casa de memória e lembranças de Chico Xavier, onde ele morou e o mausoléu onde está sepultado (no cemitério local); a igreja de Santa Rita e respectivo museu. As inscrições vão até dia 11 de janeiro de 2020. Maiores detalhes estão no edital. 

Uberaba se enquadra, enfatiza a administradora, em todos os aspectos, por contemplar os três gigantes conhecidos como a Paleontologia, com a representação do bairro Peirópolis, com os fósseis de dinossauros, rãs, tartarugas e crocodilos. Com o eixo do espiritismo, marcado pela vida do médium Chico Xavier. E também pela história de formação do gado Zebu, com a realização anual da maior feira pecuária do mundo. 

Gizah avalia que a comunidade está receptiva, “mas não tem ainda o sentimento de pertencimento do geopark. Estamos trabalhando nesse sentido”. Conheça mais pelo Instagram Geoparkuberaba “e pelo canal Youtube do Programa Movimento, que a colunista tem na TV Câmara”. 


Gizah Barros, da equipe UFTM, com escultura do médium Chico Xavier na praça Rui Barbosa, ponto Geopark. Foto: Rodrigo Garcia. 


Especialista da Unesco 

Falando sobre Geoparques Mundiais da Unesco – Linhas estratégicas para Uberaba, a geóloga Flávia Fernanda de Lima esteve na cidade no final de 2020. Em palestra na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), a consultora afirmou que Uberaba tem grande potencial para ser credenciado pela Unesco. Os projetos estão em andamento e ainda não se pode afirmar quando essa chancela sairá. “Tudo depende do tempo para a gestão articular a integração da rede de comunicação para que a comunidade se envolva efetivamente.” 

Flávia pondera que o Geopark não cria nada novo, ele faz a articulação da identidade do território com a visibilidade mundial. A cidade hoje está olhando pra dentro e reconhecendo o que pode ser bem explorado para o turismo. 

Tecnicamente, ela esclarece que para se candidatar o município precisa ter pelo menos um ano de sinalização como área geoparque. Após o envio do dossiê, a comunidade estará pronta para receber a visita de dois avaliadores da Unesco, que vão declarar se o território está apto para entrar na rede mundial. Alguns requisitos fundamentais para isso são definidos em valores estéticos da geodiversidade: cultural, funcional, ecológico, educativo e valor científico. 


Uma única fé e muitas histórias de presépios  


Rosalina Cardoso 


Presépios montados para celebrar o Natal são as representações do nascimento de Jesus numa estrebaria, na cidade de Belém, em Israel. Pesquisas indicam que o primeiro presépio data de 1.223, na Itália, criado por São Francisco de Assis. Ele contava aos camponeses como foi o nascimento de Cristo por meio de bonecos de argila. No Brasil foi a partir do século XVII que o primeiro presépio foi montado, em Olinda-PE. Essa tradição persiste até hoje nas famílias católicas. 

Temos uma variação incrível de modelos e materiais que são usados na composição. O que conta é o espírito de fé e a crença na simbologia materializada. Cada elemento ou figura tem significado que se destaca pela simplicidade, humildade, luz, comunicação ou mensagem, ciência, divindade, realização, sofrimento e eternidade. 

Em Uberaba temos uma riqueza de presépios consagrados. Existem famílias que professam essa fé geração após geração. Pude conferir presépios de peças de plásticos, passados de mãe para filhas, de gesso, barro, madeira, porcelana, resina, papelão, folhas e frutas, material reciclado e sustentável. 

“A beleza está na plenitude da humildade.” Essa frase pronunciada pela educadora de artes visuais, Rosalina Cardoso, traduz o significado do presépio. Por vários anos, ela monta presépios em casa e para instituições. Chegou a fazer um em coreto de praça pública. Na família, Rosalina envolve filhos e netos na tradição cristã, ensinando alguns rituais da sua fé. Culturalmente, o presépio é montado dia 1 de dezembro, sendo formado por várias fases, de acordo com o ensinamento bíblico. Primeiro chega a manjedoura, que fica vazia até o dia 25 de dezembro, quando menino Jesus nasce e ali é colocado.


Presépio sustentável desenvolvido por Rosalina Cardoso. Foto: Paulo Lúcio. 


Para Rosalina de Morais Cardoso, que é formada em Educação Artística, em Educação e Artes Visuais e pós-graduada em Ensino de Artes Visuais, funcionária do MADA – Museu de Arte Decorativa de Uberaba, o presépio tem forte significado para os cristãos católicos porque “tradicionalmente seguimos nossos antigos venerandos, tornando os presépios em representação religiosa, onde celebramos o nascimento do menino Jesus.” 

Desde criança ela gosta dessa manifestação. “Visitava presépios nas igrejas despertando o encantamento diante de tanta beleza. Com olhar atento e contemplativo eu buscava cada detalhe do meu jeito criança simples de ser. O processo criativo em uma celebração cristã nascia ali, no meu mundinho, que era só meu”. A artista gosta de utilizar materiais alternativos, que mesclam a fé e a arte. Rosalina todo ano diversifica o processo de montagem do cenário, mas lembra: “adoto o conceito do que significa elaborar um presépio ou uma gruta natalina; porém, a identidade da pessoa deve ser marcante na finalização do presépio”. 


Ele faz ao vivo 



Nas comemorações natalinas, Uberaba conta com o presépio vivo encenado pelo grupo teatral do Eduardo Lima.  O grupo teatral completa 25 anos de andanças pela cidade espalhando fé, cultura, arte e claro, muita emoção, começando pelo figurino.

Eduardo, que interpreta José, pai de Jesus, explica que se inspirou na vontade de retratar o Verdadeiro Sentido do Natal, indo até as pessoas e mostrando vivamente o sentimento de simplicidade que envolve o nascimento de Jesus. A peça, com cerca de meia hora, tem a representação dos personagens de Jesus, Maria, José, os três Reis Santos, Anjos e pastores. 

As apresentações antes do Covid-19 eram itinerantes e em locais variados. “Este ano precisaremos de lugar fixo, adequado ao protocolo de prevenção ao Coronavírus”, diz Eduardo, que além de ator e diretor, é professor de arte. 


Na pele 



 Um pai, empresário, tatuou em toda a extensão das próprias costas um presépio em homenagem ao seu filho, que faleceu há três anos e que igual a ele, era devoto de Santos Reis.   A tatuagem colorida traz os três Reis Santos. Sua devoção materializada foi uma forma de diminuir o desespero e dor no extenso período de luto.  Ele frisa que sua atitude é de puro amor e sendo algo muito pessoal, não se sente confortável em exibir a arte que carrega na própria pele. Trata-se de um respeito à sua crença e um louvor ao seu filho. O pai na verdade ao trazer sua marca dolorosa para a pele, ressignificou sua perda com cores a marca da alma. Se para alguns parece estranho, antes de julgamentos, é preciso entender que a simbologia é muito profunda, por ser mais do que uma simples tatuagem, é um resgate de vida plena pela fé. 


A fé da família Morais demonstrada no presépio 


Gruta natalina tradicional. Foto: Ighor Thomas 


Por 18 anos, a família de Teresa Morais monta presépio e celebra com orações e alimentos. Esse ritual é para pagar promessa, feita quando aconteceu acidente com um dos filhos. O compromisso foi feito com os Três Reis, para que o filho sobrevivesse sem sequelas de um grave acidente. Ela afirma que mesmo em situações difíceis sua fé nunca foi abalada, só aumentou: “minha fé é viva. Minha fé veio de avó e mãe, não pode morrer. Eu tenho devoção e proteção de Santos Reis em todos momentos.” Os presépios na casa da Tereza já tiveram várias formas e tamanhos, inclusive existe um espaço reservado na sala para essa finalidade. Segundo ela, a decoração se constrói a cada ano com base nos devotos da família e amigos. Neste ano de 2020, excepcionalmente, afetados pela pandemia do novo Coronavírus, a proporção do presépio foi reduzida. Será apenas uma mini gruta, moldada em papel. “Seguimos nosso louvor rezando o terço. Mas não pode aglomerar; então, abrimos mão da tradição do jantar, que começou com 20 e chegou a reunir 600 pessoas.” 


Presépio na paróquia


Presépio da Paróquia São Geraldo Majela. Foto: Paulo Lucio


Com trinta metros quadrados e quase 100 peças, o presépio da Paróquia de São Geraldo Majela, no bairro Alfredo Freire, tem chamado atenção por sua beleza. 

Foram vários dias e muitas pessoas ajudando na montagem do presépio, que este ano traz a novidade de uma roda d’água, peixes, ponte e pântano. Tradicionalmente, o presépio da igreja existe desde 2015, quando o padre Fabiano Roberto Silva dos Santos agregou essa ação à comunidade. Com o passar dos anos, outras imagens foram sendo incorporadas, assim como a utilização de diversos materiais, com destaques para ferragens, madeiras, troncos, bambus e tecidos. 

O projeto da paróquia foi concebido pelo próprio padre Fabiano. Ele desenha, define os materiais e convida a comunidade religiosa e estudantes a participarem dessa expressão cultural e de fé. A pandemia não influenciou negativamente nesse ato: “esse tempo sombrio acabou me inspirando a montar com ainda mais capricho, para que as pessoas tenham algo para encantar o olhar,” pondera o padre. A admiração por presépios vem desde a infância do padre Fabiano. “Eu cresci contemplando uma realidade de devoção muito forte, vendo montagens de presépios em minha cidade, São Joaquim da Barra”, relembra. O presépio da paróquia foi apresentado ao público na missa do dia 29 de novembro e ficou disponível para visitação até início de janeiro de 2021. 


Presépio da dona Dalma Teresinha Fonseca Carvalho 

Esse presépio da família da saudosa Dona Dalma Teresinha Fonseca Carvalho tem, mais ou menos, 45 anos. As imagens são de plásticos e a pintura original nunca sofreu retoques. Mantendo a tradição de fé o pequeno presépio sempre em uso, esse ano foi montado na casa da Sarua Carvalho. 



Evacira Coraspe

Assessora de Comunicação e jornalista da Câmara Municipal de Uberaba. Coordenadora e apresentadora do programa Movimento da TV Câmara. Idealizadora e coordenadora do projeto “Arte na Chita – Bordados Terapêuticos”. 

 
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