Laços de famílias


Olésia Borges


Foi no cenário turbulento, conflituoso e desconhecido do ano 2020, em meio à pandemia de COVID-19, que Randolfo Borges Filho (Randolfinho) e Carla Mendes Bruno Brady anunciaram que estavam pesquisando a história e a genealogia dos Andrade. Motivados pela publicação dos livros sobre as famílias Rodrigues da Cunha e posteriormente sobre os Borges, Randolfinho e Carla se lançaram em um novo desafio a pesquisa histórica dos Andrade. Randolfo colaborou para a publicação do livro: “Os Rodrigues da Cunha - A saga de uma família” lançado em 2008, (em dois volumes) por iniciativa do empresário Antônio Ronaldo Rodrigues da Cunha em parceria com Marta Amato. No final do ano de 2019 Carla e Randolfinho lançaram “A Epopeia dos Borges”. Através da pesquisa para os dois livros, da família Borges e anteriormente dos Rodrigues da Cunha, a dupla Carla e Randolfinho, percebeu uma intrigante e intrínseca relação permeando tradicionais famílias de nossa região, especialmente os Rodrigues da Cunha, os Borges e os Andrade. Surgiu daí portanto, o novo desafio, pesquisar a história e a genealogia da família Andrade. 


Randolfo Borges Filho (Randolfinho) e Carla Mendes Bruno Brady responsáveis pela publicação e lançamento do livro “Do Minho ao Sertão da Farinha Podre – O Roteiro Épico dos Andrade


Sobre os Andrade  

Randolfinho Borges e Carla Mendes Bruno Brady desenvolveram realmente uma difícil tarefa, a   pesquisa sobre   a família Andrade em tempos de pandemia, o que tornou esse trabalho ainda mais difícil.  Finalmente a concretização e lançamento desse trabalho, em agosto de 2021, um livro que tem como título: “Do Minho ao Sertão da Farinha Podre: O Roteiro Épico dos Andrade”. A nova obra é prefaciada pela ex-primeira dama de Uberaba, Marília Andrade Cordeiro, que também pertence à família Andrade. No Prefácio de Marilia e na Apresentação da autora Carla Mendes Bruno Brady, elas antecipam fatos importantes relatados na obra, como a origem e o entrelaçamento de importantes famílias da nossa região.  “Andrade é um topônimo, uma vila na Galícia onde, na Idade Média, surgiu uma família que galgou postos junto à nobreza, conquistando além de poder, títulos como de Condes. Um atual detentor desse título, é o duque de Alba, que pertence à nobreza espanhola. 


A ex-primeira dama de Uberaba, Marília Andrade Cordeiro assina o prefácio do livro e também pertence à família Andrade. Foto: Arthur Matos


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Portugal - Brasil  

Um ramo dos nobres galegos fixou-se em Portugal, onde possuem suas armas expostas na Sala dos Brasões do Palácio de Sintra. Do ramo português, descende inclusive o descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral. No Brasil, o patriarca da família Andrade é Antônio de Brito Peixoto, que nasceu em Braga, na região do Minho em Portugal e chegou ao Brasil, logo após a Guerra dos Emboabas, fixando-se na Comarca do Rio das Mortes. Sua numerosa descendência recebeu títulos de Barões, através dos Imperadores do Brasil Colonial. Além dos títulos de nobreza importantes personalidades, que descendem de Antônio de Brito Peixoto marcaram nossa história, como o cientista Carlos Chagas, os irmãos Faria, do antigo Banco Real e outros grandes nomes do cenário econômico e social brasileiro.      


Na capa do livro 

Uma representação e fatos importantes da saga empreendedora dos Andrade, que a partir da região do Minho, em Portugal passou a desenvolver uma verdadeira epopeia até seu estabelecimento em nossa região. Na capa, um mapa destaca a Comarca do Rio das Mortes, região subordinada a São João del Rei, onde inicialmente se instalou o patriarca dos Andrade no Brasil, Antônio de Brito Peixoto. Ele era filho de Ignácio de Andrade Peixoto e Elena de Brito.  Antônio de Brito Peixoto casou-se em 1725 com Maria de Morais Ribeiro, instalando-se na região de Carrancas. Entretanto, a posse dessas terras só foi regularizada após a morte do pai dele, Ignácio de Andrade Peixoto, quando então a viúva Elena, recebeu a Sesmaria na encosta da Serra das Carrancas.  A representação no mapa destaca, além da origem portuguesa, brasileiros de outras regiões, inclusive os bandeirante e indígenas, que participaram do caldeirão cultural e formação da população de Minas Gerais. Na figura inferior, o destaque é a migração para o Sertão da Farinha Podre, principalmente para as regiões de Araxá, Uberaba e Prata, onde se estabeleceram os Andrade, após a queda da mineração, alguns inclusive possuíam outros sobrenomes, apesar de serem netos do Patriarca, Antônio de Brito Peixoto. 


A capa do livro “Do Minho ao Sertão da Farinha Podre – O Roteiro Épico dos Andrade. Foto: divulgação


Desafios e superação 

A vocação e saga desbravadora dos Andrade que aqui chegaram no início do Brasil Império nos deixaram um legado e exemplos de conquistas, superação e coragem. Entre tantos fatos e coincidências, destaca-se a grave pandemia que, famílias não muito distantes da nossa geração sofreram durante a “gripe espanhola”. O enfrentamento daquela pandemia, também como hoje, de grandes e graves proporções e com pouquíssimos recursos científicos, além de quase nenhuma informação foi uma terrível realidade. Muitos perderam entes e amigos queridos, adquirindo assim resistência, para uma necessária superação para seguir em frente. É interessante observar, que um livro sobre a vida dessas famílias   tenha sido gestado em um momento de outra grande pandemia, exatamente um século depois.   


Em nossa região 

Entre os Andrade da nossa região destaca-se o Barão de Campo Formoso, que teve também uma grande descendência, formada por empresários, (pequenos, médios e grandes fazendeiros), que muito contribuíram para o nosso desenvolvimento regional. Grande parte dos Andrade do Triângulo Mineiro descendem também dos Franco, Vilela, Junqueira, Rezende, Carvalho, Garcia, entre outras famílias. As primeiras gerações brasileiras que viveram na Comarca do Rio das Mortes foram estudadas há mais de cem anos, por ilustres genealogistas, graças aos seus títulos de nobreza além de expressiva representatividade na história do Brasil, destacando-se o cientista Carlos Chagas. O único autor do conhecimento dos autores Carla e Randolfo, que pesquisou parte importante da família Andrade, no Sertão da Farinha Podre, (principalmente em Prata/MG), foi Benedito Antônio Miranda Tiradentes Borges. Outra fonte importante foi o imprescindível Hildebrando de Araújo Pontes, que escreveu sobre famílias de Uberaba do passado, destacando em parte da sua obra, os mais genuínos representantes dos Andrade. 


Dificuldades  

As restrições impostas pela pandemia certamente dificultaram ainda mais o trabalho de pesquisa de Randolfinho Borges Filho e Carla Borges Mendes Bruno Brady. As limitações de viagens e consultas “in loco”, além da imposição do distanciamento entre as pessoas foram algumas dessas dificuldades, razão pela qual, a maior parte das pesquisas ter sido realizada de forma on-line. Outro grande problema encontrado na genealogia dos Andrade foi a homonímia, contumaz nas gerações mais antigas, o que propicia a confusão entre indivíduos e gerações, demandando tempo e maior atenção para entendimento dessas questões. Entretanto, de grande valia para os autores, foram as viagens feitas anteriormente, para as cidades da região e também para a Espanha. É importante ainda destacar o fato da fazenda de um dos autores ter pertencido à família em estudo. A propriedade rural localizada no Rio do Peixe é um reduto histórico dos Andrade em nossa região.


“A Epopeia dos Borges” livro lançado em 2019 também pela dupla de pesquisadores e historiadores, Carla Mendes Bruno Brady e Randolfo Borges Filho. Foto: divulgação


Olésia Borges 

Economista pela FCETM e professora com pós-graduação em Teoria Econômica pela PUC – MG. Colunista do Jornal de Uberaba.


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