É hora de extravasar!


Criatividade e movimento para relaxar os ânimos

Jornalista Isabel Minaré


Já tentou relaxar profundamente? Desestressar, extravasar, espairecer as ideias ... É possível e necessário. Diversas atividades podem ser feitas dentro de casa (sozinho ou em família) ou em contato com poucas pessoas. O importante é se divertir. Que tal fazer deste período uma oportunidade para vivenciar novas experiências e, quem sabe, permanecer em movimento por toda a vida?


Reforma de móveis

Talvez seja a maior frequência em casa. Pode ser o tédio ou até mesmo aquela mania de encontrar defeito em tudo. Os motivos são diversos, mas levam a uma só questão: quem já não teve vontade de reformar um móvel? Então, chegou a hora daquela cristaleira antiga encostada há anos no canto da área ganhar uma cara nova. Para fazer tudo dar certo, é só seguir direitinho os passos: escolher e preparar o local, limpar e desmontar a peça, verificar as condições de cada parte, lixar (se for preciso), pintar e montar. E no quesito pintura, existem várias técnicas, como stencil (molde vazado), dip dye (uma parte pintada, a outra não), ombré (degradê de tonalidades) e pátina (aparência de desgaste). No final, ninguém vai se lembrar de como era o móvel antes da mudança. A atitude deixa a moradia mais bonita e aconchegante e aquele móvel velho novinho em folha.


Teatro


Para Mayron, o teatro funciona como uma válvula de escape. Foto - Guilherme de Sene

O teatro é um auxílio emocional. De acordo com o professor de teatro Mayron Engel, a dramaturgia estimula o trabalho com sentimentos. “Conseguimos chegar no que a pessoa sente naquele momento. E todo mundo precisa se expressar”, relata. A atividade atua como uma válvula de escape para o alívio de ansiedade e pressão. É hora de rir, cantar, pular, contar piada, chorar, gritar e se libertar! Os estudantes realizam exercícios como gravações de cena, jogos de improviso e reproduções de clássicos do cinema. É possível fazer jogos em dupla para que cada um resolva uma situação simultânea. Mayron percebe a necessidade dos alunos de ver o outro e conversar sobre a vida. É exatamente isso que o teatro faz: colabora para manter o vínculo com a sociedade porque age em equipe.

 

Exercícios físicos


Jefferson atenta para a necessidade de exercícios físicos durante a pandemia. Foto - arquivo pessoal.

Manter o corpo em movimento é indispensável em qualquer fase da vida. A prática regular de exercícios físicos previne doenças e melhora a saúde física e mental. O personal trainer Jefferson Oliveira chama a atenção para o estresse, o desânimo e o ganho de peso na comunidade.

Jefferson é procurado por gente insatisfeita com a aparência e que busca por melhoria de qualidade de vida. Ele prescreve um treino específico para cada pessoa. Há opções de exercícios para se fazer na sala, no quarto, no quintal, na rua, na pracinha, nas quadras, em diversos lugares. Não tem desculpa para ficar parado. “Vale inovar, usar sacos de arroz, feijão, açúcar e o próprio corpo como peso. Pode fazer minicircuito, caminhada, corrida, natação ciclismo, tão em voga agora. Dá pra alternar atividade para ninguém enjoar ... Ficar deitado no sofá não rola mais”, determina. 


Música

Pablo afirma que as aulas de músicas contribuem para aumentar a concentração.  Foto - divulgação


Concretizar o sonho de aprender a tocar um instrumento musical também é permitido durante a pandemia. O professor de violão, ukulele e técnica vocal Pablo Carvalho destaca que a música contribui na perda da timidez, socialização, aumento da concentração e estímulo da criatividade. “As aulas de música deveriam ser obrigatórias em qualquer escola de ensino regular”, afirma. Pablo criou o Drive In Festival Uberaba, primeiro do tipo na América Latina. No evento, é possível voltar a viver a experiência de eventos a céu aberto. O público assiste a filmes e shows de dentro do carro.


Jardinagem

Diversas pessoas sentiram vontade de fazer a própria horta e praticar a jardinagem em casa. A atividade traz saúde física e mental, além de beleza e aroma aos lares. Reunir a família em volta de um punhado de terra, vasos improvisados, mudas e sementes proporciona momentos de relaxamento, descontração, tranquilidade e bem-estar. As plantas podem ser cultivadas em sacadas, quintais e no interior da residência. Aliás, de dentro de casa, da cozinha, pode surgir o adubo orgânico, feito de cascas de ovos, borra de café e restos de alimentos. Vale tudo para o cultivo: vasos no teto, floreiras nas janelas, horta vertical, parede verde, jardim de inverno, canteiro de pedras, recanto de suculentas, troncos como vaso e mais mil ideias... Basta se libertar e deixar a criatividade fluir. O hobby possibilita a decoração conhecida como urban jungle (floresta urbana). O resultado é um novo astral para o lar.


Brincadeiras

A criançada também precisa se divertir. Uma das formas é brincando! Atividades como contação de histórias, oficina de slimes, escultura de balões, pintura facial, malabarismo e cantigas de roda estão entre as preferidas para se fazer junto dos pequenos. E tem muitas outras opções: cabaninha, dobradura, caça ao tesouro, imitação, amarelinha, cabo de guerra, escolinha, adedonha, gato mia, ... Tão importante quanto manter as crianças ocupadas é deixar um período livre para que elas tenham liberdade de criar e praticar o que vem à imaginação. A atitude pode estimular a independência, elevação da autoestima e administração do próprio tempo.


Cozinhar

Cozinhar para se manter alimentado e mentalmente ocupado. O confinamento colocou várias pessoas na frente de fogão, geladeira e churrasqueira. Sozinho, a dois ou em família, há várias receitas para ser testadas. Do café da manhã ao jantar, da entrada à sobremesa, há prazer em fazer e de comer. A cozinha é um local de memórias e pode ser transformada em um lugar de arte e terapia. Afinal, preparar o próprio alimento pode ser uma arma para lutar contra a depressão e proporcionar conforto e disposição. Além disso, melhora a capacidade de planejamento e organização e alivia o tédio. Brincar com novos sabores, sentir aromas diferentes, encontrar alternativas para ingredientes pode ser saudável para o corpo todo. O coração e o estômago se comunicam.

 

Autoconhecimento


Para Thaysa, é necessário ter paciência consigo mesmo. Foto - arquivo pessoal


Cada pessoa tem um jeito de se desestressar. O essencial é conhecer a si mesmo. “Não tem certo e nem errado. O que existe é a forma possível, mais adequada, que mais faz sentido para cada pessoa”, disserta a psicóloga Thaysa Brinck.

Thaysa orienta a procurar atividades prazerosas e realizá-las com engajamento, nem que sejam durante poucos minutos ao dia. O objetivo é tirar o foco das doenças, do trabalho, da família e relaxar o corpo e a mente. “Cada pessoa irá encontrar seu próprio meio de descansar e de se divertir, dentro de suas possibilidades e do que lhe fizer mais sentido”, ressalta. Uma das atitudes mais significativas é ter paciência. “É importante pensar na gentileza consigo mesmo, compreendendo que esse é um momento de dificuldades e maior cansaço, que estamos fazendo o que é possível, e que não dá para dar conta de tudo o tempo todo”, resume.


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